18/12/2009

:: medrosas confiantes




Criar sozinha? Será possível?
Desde 2007, um movimento diferente vinha acontecendo. Havia uma vontade, mas muitos empecilhos também, o maior deles, o medo.
Até que surgiu uma oportunidade para a tentativa. Não seria nada muito oficial, bem alternativo. Uma festa de amigos, que começavam a admitir que a arte era o que nos movia. As meninas meio com medo, os meninos confiantes, principalmente um tal menino ansioso e às vezes confiante até demais, que começava a se inserir no mundo da dança, pintava quadros, fazia poesias... Eles davam petelecos que nos estimulavam a acreditar na ideia de criar e apresentar nossa criação.
“Águas de março” no bar do Carioca (no início de uma rua com paralelepípedos, perto da feira central), música, dança, artes plásticas, poesias. Uma primeira aproximação da dança de uma casa e da nossa dança à vila perto da ferroviária. Se não fosse por aquele menino, talvez demorasse muito mais tempo para adentrarmos mais profundamente o local.
“Unidade distorcida” era o nome da performance. Nome sugestivo para uma tentativa de criar uma organização diferente de agrupamento. Depois chegou a ser apresentada na comemoração ao dia da Dança no Museu de Arte Contemporânea (com público itinerante – ideia da Renata Leoni) e de comemoração da divisão do estado na praça da Independência. Divisão, independência.
Em relação a videodanças ocorria o mesmo: meninas meio medrosas, menino confiante. O desejo parecia o mover e a racionalização ficava curiosamente para o gênero feminino (mais experientes, mais desiludidas em relação à pureza da arte - preocupações técnicas). Não fosse mais esse peteleco, estaríamos na vontade de criar, sem acreditar que podíamos fazê-lo. “Mudez” foi encenado também em uma casa, no sítio vô Tinho. O cenário reincidia. No videodança “Urbano” (2008), o cenário foi um prédio abandonado. O abandono começava também a aparecer no caminho.
Contando essa história dois anos depois, parece até que prevíamos tudo. É um “work in progress” que continua em processo.

16/12/2009

:: Dúplice

Para jogar uma luz de esperança ao nosso amigo Saulo, que não se identifica com os climas densos, críticos e tristes das danças contemporâneas que vem conhecendo, existe o "Dúplice", espetáculo muito divertido desses caras de Goiânia (Rodrigo Cruz e Rodrigo Cunha). Eles se apresentaram na 6a. Bienal de Dança do Sesc Santos.
Desde o início existe uma disputa entre os dois. Eles mesmos fazem a sonoplastia (dá pra reparar o microfone logo atrás na parede). Pelo vídeo dá pra ter uma ideia, mas o espetáculo todo visto de perto é muito muito muito divertido. De repente pareciam duas crianças brincando de fazer o barulho das coisas e faziam isso muuuito bem! Dei muitas risadas.
Trazê-los para dançar aqui é uma ideia boa. O Saulo poderia se desafiar mais uma vez a assistir um espetáculo de dança contemporânea e quem sabe gostar :)
(aumentem o volume do comp para ouvir)


15/12/2009

:: me=morar ou memórias de uma ferrovia, por Esacheu Nascimento

No Blog do Esacheu, a percepção dele sobre o me=morar, clique aqui para ler inteiro. Aí vai um trecho que achei legal pela associação que ele fez para entender como a dança se manifesta:

"Taí um espetáculo para ser visto por Manoel de Barros, pela assimetria dos fatos enunciados na dança, que diz tudo, com seu conceito de despalavras."

14/12/2009

:: E num gesto de fúria subversiva/catártica, cantávamos juntos "a galopeira"

(13/12/09 - casa da Júlia e do Werther)
Foi o que me fez lembrar deste artigo que escrevi há um mês atrás:

Ultimamente venho me identificando com algumas frases que me soavam bastante externas como “gosto não se discute”, “há males que vem para o bem” ou “não coloque o carro na frente dos bois”. Ouvia as pessoas dizerem, mas eu mesma nunca os repetia, a não ser quando queria fazer referência satírica às frases que, aparentemente, são repetidas ao longo de gerações como que por osmose. Eu, artista da contemporaneidade, mantinha o meu “papel” de preservar a diferença e negar a tradição. Certo é que incorporei cargas históricas da sociedade que integro, ou ela que me engoliu, porque essas sabedorias vêm me fazendo um “baita” sentido, à medida que vou me deparando com algumas dificuldades e descobertas.

Será que aprendê-las e incorporá-las é um dos pré-requisitos da entrada real à vida adulta e determina o reconhecimento dos outros sobre nós enquanto gente? Quantas pessoas ao se tornarem pais ou mães repetem canções e movimentos de ninar que seus avós e bisavós também faziam para novos integrantes da família, ou já “deram uma banana” com aquele gesto que acompanha a ação para alguém que o incomodou, ou se deu o privilégio de conversar e rir “à toa”?

Esses exemplos são manifestações do folclore que não faz parte de um tempo pretérito, que não está extinto ou localizado nas florestas como o saci-pererê ou como o mãozão das matas da Nhecolândia. Eles são vivenciadas todos os dias, em diversas esferas da vida cotidiana e são atuais. As frases feitas, ditados populares, locuções tradicionais são exemplos de como o folclore é vivo tanto no meio rural como na cidade e é ressignificado por meios de comunicação de massa, por livros didáticos, além de ser repassado pelo tradicional boca-a-boca.

Assim como frases, os gestos, a corporeidade e a maneira como nos movimentamos e expressamos cotidianamente (ou também em festas) com o nosso corpo está relacionada às referências familiares ou às pessoas de estreita e constante convivência, como amigos, familiares, namorado, colegas de trabalho, apresentadores de programas de TV, etc. No que tange ao universo corporal, parece-me mais difícil barrar incorporações, até mesmo porque não aprendemos a racionalizar este tipo de aprendizado, por mais que soframos interferências de repressões sociais e educações do tipo “etiqueta” para regras de usos do corpo em espaços públicos ou para padronizar comportamentos em determinados locais e tempos. E como é difícil admitir e perceber que me gesticulo como a minha mãe, minha entonação para perguntas e o tom da voz são idênticos aos da minha irmã, ando e me porto durante as refeições do jeitinho que meu pai também convencionou se comportar.

Nesse contexto é difícil delinear contornos de origens espaço-temporais deste conhecimento e dos processos de educação e comunicação, mas estes fatores indicam que a cultura popular (estruturalmente definida como aquela que é transmitida sem o artifício de tecnologias de informação e sem sistematização racional) está presente na formação de indivíduos, na maneira de se relacionarem com fenômenos de seu ambiente e na criação de novos sentidos a partir de reorganizações do que já existe. E essa interferência não é somente linguagem é também corpo. A linguagem se faz carne na medida em que se compreende que mente e corpo são instâncias transitáveis. Mente não é tanto uma instância abstrata, e corpo uma instância totalmente física, assim como existe a possibilidade de dois mais dois não ser igual a quatro.

E quando o assunto envolvendo incorporações históricas e sociais no e pelo corpo se expande da expressão cotidiana para a criação artística, faz-se um transporte para uma arte que trata o corpo enquanto meio e mensagem, ou seja, enquanto emanação e transporte de significados que dialogam com a tradição mesmo enquanto inovação, negando e/ou a transformando.
A criação de sentidos no e por meio do corpo vai acontecendo por procedimentos metafóricos, nem sempre atingidos racionalmente, mas racionalizáveis. Na dança cênica existe o acréscimo dos desafios estéticos, da relação com um público e da criação de metodologia de trabalho, direção, interpretação.

Por não haver uma atenção direcionada ao corpo e por a dança, principalmente a dança contemporânea, seguir uma linha que tende à abstração e conceito, diferente das narrativas com início, meio e fim, a recepção desses sentidos muitas vezes é limitada. Um movimento leve, lento e indireto, por exemplo, o que pode significar? Eu o executo ou vejo em que situação? Qual é a sensação de flutuar? Se um/uma artista flutua a cabeça, qual o significado que dou à cabeça e qual o sentido acrescido por ela se movimentar dessa maneira? Se refere a pensamento? Por que localizo o pensamento na cabeça?

E por aí a dança vai tocando. Questionando, colocando em movimento sentenças e atitudes que vão se cristalizando e evidenciando a rede sócio-cultural em que nos apoiamos para nos comunicar e sobreviver.

Estímulos para a criação deste texto:
“A natureza do pantaneiro” – livro de Álvaro Banducci Júnior (editora UFMS, 2007)
“Chão batido” – livro de Marlei Sigrist (editora UFMS, 2000)
“Corpo e processos de comunicação” – artigo de Helena Katz e Christine Greiner publicado na revista Fronteiras (www.helenakatz.pro.br, 2001)
“Dos meios às mediações” – livro de Jesús Martin Barbero (editora UFRJ, 2003)
"Locuções tradicionais do Brasil" - livro de Luís da Câmara Cascudo (editora USP, 1986)
“Metáfora é carne” – artigo de Lenira Rengel publicado no livro “Húmus 2” (Itaú Cultural, 2007)
Vivência em dança contemporânea com o coletivo corpomancia
Vivência em vida e cultura cotidiana com a família Almeida Rosa

Artigo publicado na revista especializada em dança "Movimente" - projeto experimental de Karine Dias, orientado pela professora Dra. Daniela Ota - Habilitação em Jornalismo da UFMS, (dez. de 2009)

:: poema da Maíra para me=morar


A memória não define posto que é chama. O farol não ilumina sendo que é cego. Mas se o que é meu ta guardado, pretende rima, Desloca meu corpo encantado pra uma rotina. Estupidamente careca o pneu da vida, me põe de novo um martelo na mão da memória. Saio ilesa ou sofrida? Raiz ou Bandida? Me planto ou me benzo? O chão ou o relento? Me perdes de vista se continuar andando? E o que importa o que é o olho se a retina da memória é mais forte... anarquista? O trilho continua vindo. O vir é sua ação primeira. Assim caminho significa pra frente. E destino só remete à passagem.

Maíra Espíndola

11/12/2009

:: Tenho corpo, logo existo, por Luca Maribondo


Texto lindo do Luca Maribondo no seu blog, CASA do Maribondo, que partiu do espetáculo me=morar pra falar dessa nossa casa estranha feita de carne. Fiquei muito tocada com o texto e foi difícil separar algum trecho pra colocar aqui, já que todos me parecem decisivos... segue dois deles e vai a dica pra ler inteiro, clicando aqui. Vale muito a pena.

"No "Me=Morar", as noções de corpo e movimento estão estreitamente relacionadas e devem ser contextualizadas antropológica e historicamente. Fica claro que o indivíduo conhece o mundo através de sua entidade corporal. Graças ao movimento o homem aprende a estar no espaço. Há emoções fortes: a emoção, atividade eminentemente social, afirmando que a emoção nutre-se do efeito que causa no outro, isto é, as reações que as emoções suscitam no ambiente funcionam como uma espécie de combustível para sua manifestação.

(...)

Esse experimentar tem relação direta com os movimentos da dança e com a imagem corporal. O movimento é apenas e unicamente compreendido desde o externo. É a expressão da possibilidade de transformar o que o corpo apresenta em si mesmo. O corpo incorpora em si a possibilidade contínua de crescer e perscrutar-se. Cada expressão, cada gesto, traz em si a possibilidade de transformação. O movimento é sempre decorrência das histórias individual e coletiva. Num momento, lembra a casa/lar; noutro, lembra a estação ferroviária; mais adiante, remete aos trilhos e suas relações com a história da cidade. (...)"


Valeu, Luca, pela sua sensibilidade e pela disponibilidade.

:: me=morar no jornal O Estado

Uma baita matéria sobre o me=morar, foi o que vimos ao abrir o jornal O Estado de quinta-feira, 10/dez. O jornalista Thiago Andrade foi muito atencioso com este projeto: nos visitou na terça pela manhã e acompanhou a pré-estreia com os vizinhos de noite, e ficou durante as duas sessões! O resultado foi um texto bem elaborado sobre o espetáculo, que contou com o depoimento do nosso amigo e vizinho, o 'seu' Carlos (com direito a foto e tudo), entre outros. Valeu!!

Também esteve por lá o fotógrafo do jornal, Maurício Borges e fazemos aqui uma correção do crédito da foto que aparece na parte inferior da matéria, atribuída a Moisés Palácios, que é de Paula Bueno (divulgação).

:: divulgação do me=morar na internet

Alguns sites e blogs estão dando a notícia do espetáculo. A gente agradece e indica a leitura, vai lá:

- idança.net
- Palco Urbano
- Campo Grande News
- Midiamax News
- Mercado Cênico
- Dançurbana
- Ginga Cia de Dança
- Blog do Esacheu
- Casa do Maribondo

e quem souber de mais, coloca no comentário que a gente adiciona aqui ;)

:: me=morar no Correio do Estado

Nesta quarta-feira, 9/dez saiu uma matéria no jornal Correio do Estado, escrito por Michelle Rossi sobre o me=morar. Ela nos telefonou para uma entrevista, que resultou num belo texto sobre o espetáculo ;)

09/12/2009

:: estreia com os moradores da Rua Dr Ferreira ::

De todos que ainda vão assistir, eles eram os mais esperados pela gente, os nossos vizinhos. Foi a partir dos depoimentos deles que nós construímos nossa percepção deste tema, são eles que aguentam nosso barulho, passearam com a gente pelas redondezas, nos receberam em casa, mandaram canjica, gelo, água de coco, emprestaram chave de fenda, tesoura, etc etc etc.

Quem esteve com a gente foi a Rose, Maurício, Dona Helenir, Seu José Ferreira, Seu José Correia, Seu Valderi, Seu Carlos (que assistiu as duas sessões!). Foi muito emocionante pra gente compartilhar com eles a nossa criação e ouvir depoimentos como: "eu sou rude, mas isso prendeu a minha atenção, não lembrei de nenhuma conta que eu tenho pra pagar", ou ainda interpretações baseadas nas vivências deles, no contexto da ferrovia...

Também foi assitir o professor Edson Silva, o dono da casa, e nos deixou felizes com sua fala em relação ao nosso trabalho, ao nosso empenho com o projeto e o resultado final. Estava presente o Thiago Andrade, jornalista do O Estado, que assistiu o espetáculo junto com alguns moradores e colheu depoimentos.

Bacana, bacana, agora sim que o barulho começa, pessoal. Rumbora!

:: the look is on the table ::



Segunda-feira foi dia de cuidar do visu. E quem fez isso pra gente foi o Rubens e o Diógenes, do Urbanos, salão novinho em folha com a experiência dos dois de longa data.

A gente chegou lá e contou um pouco como é a participação de cada uma no me=morar, algumas já com a ideia formada de como seria a composição do cabelo e outras sem ideia nenhuma. Fato é que nos entregamos aos conselhos (aos grampos e às tesouras) do Rubens e ficamos muito contentes com o resultado.

A gente agradece demais o apoio deles e convida todo mundo a conhecer o espaço novo, que fica na Rua Amazonas, logo depois da Ceará. O telefone é 3352 2821.

:: quanto mais, melhor

o tanto de gente envolvida no negócio. domingo foi dia de ensaio geral e a gente chamou os chegados pra assistirem. e eram tantos que causou superlotação das nossas espectativas de público, o que foi bom pra gente aprender a lidar com os espaços já preenchidos de uma casa, da Casa 169.

os bravos companheiros resisitiram com a gente e fomos tomar uma, comer um, ali detrás da casa. valeu, pessoal, o filho é nosso e a conta também ;)

07/12/2009

:: ensaio nas férias


O Jonas estava de férias e a galerinha da rua também.
O que era pra ser um ensaio começou a ter plateia, primeiro com o nosso querido músico na janela, que depois até experimentou balbuciar alguns movimentos com o Yan.
Depois veio a galerinha mais animada da rua, que antes brincava correndo pelos paralelepípedos, quando não gritavam "olha o caarrrooo".
Elas de repente ficaram quietas.
"Qual é o seu nome?" Surgiu a dúvida. "Ana", a mesma moça que convidou todo mundo pra comemorar o aniversário dela na casa, assistindo ao espetáculo durante a tarde do domingo.
Depois veio a chuva e duas fofuras foram se abrigar nos aposentos da casa.
Foi muito divertido vê-los ali, no meio da bagunça toda. Arrumação pra estreia para os nossos vizinhos, que já são considerados e nos consideram mais vizinhos agora. Tivemos até a surpresa da canjica da dona Lenir no meio da tarde.
Espírito bom esse da casa 169.


:: complexo ferroviário: patrimônio histórico nacional


passeio com sr Carlos pelo complexo ferroviário


Dia 2 de dezembro agora, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) aprovou o tombamento do complexo ferroviário de Campo Grande. O município já havia tombado e o estado também. Chegou a vez do reconhecimento daquela região como patrimônio nacional, e a Casa 169 que estamos habitando faz parte da região.

Esta notícia encheu a gente não só de alegria, pelo contato que estamos tendo com o assunto, mas de confiança de que o tema que estamos tratando tem relevância social, cultural, histórica.

Nossos vizinhos se reuniram na frente da casa ao lado, do José Ferreira, pra falar do assunto. A gente aproveitou pra entregar os convites das sessões especiais que vamos fazer pro pessoal da rua, às terças-feiras.

Está chegando a hora da estreia e eles serão os primeiros a ver. Depois a gente conta como foi.

:: all that jazz

era tarde e tinha muito o que fazer; a Luiza e a Júlia deram um pulo na feira pra pegar comida, enquanto o resto grudava os adesivos nos cartazes pra Carol poder levar; o Caio e o seu entusiasmo de vizinho pintava a parede da cozinha; o Jonas já tinha ido embora depois de nos mostrar ajustes na trilha e a Mary também passou por lá de tarde pra entregar os banners que ficaram prontos; o Werther e a Maíra uma hora pararam pra comer doce, apesar de não serem do tipo que gostam de açúcar; a Moema passou pra dar um oi e ficou mais um pouquinho até que ajudasse em alguma coisa do muito do que tinha pra fazer; o Lucas veio atrás da Ana e atrás da Ana tinha também serviço e espera e ele ajudou a transformar isso numa coisa legal, numa boa companhia; a gente jantou o espetinho que chegou da Barraca Aparecida, que é onde se vende os ingressos, e depois foi embora, mas não antes de chegar o Jean, o Tofu e sua namorada, pra darem uma mão na pintura...

e olha que este foi um dia só.


05/12/2009

:: Festival Fogo no Cerrado

Está acontecendo o Festival Fogo no Cerrado, do Coletivo Bigorna. A queridíssima Maíra, vulgo Mairão, nossa cenógrafa que de dia anda com visu de mestre de obras e de noite de rock'n rolla, faz parte deste coletivo e fez a arte (linda) do Festival. Hoje sobe no palco com sua banda, Dimitri Pellz, tocando fogo lá no Toca, na programação do cerrado.

Ela colocou alguns bigorníferos e amigos pra ajudar na cenografia do me=morar, descascando, pintando, pregando, tocando e divertindo a gente com a presença e a boa vontade. A casa anda muito viva por conta disso e a gente agradece demais a mão amiga.

Ainda da tempo de ir ao Festival, hoje tem uma porrada de banda boa:
www.fogonocerrado.com

E pra terminar, a super vinheta feita pelo onipresente Vaca Azul, aqueles da língua vermelha:

03/12/2009

:: temporada Paredes Revisitadas


To passando aqui rapidinho pra dizer que este fim de semana é o último da temporada do Paredes Revisitadas, lá no Pontão de Cultura Guaicuru. É gratuito. beijos!

29/11/2009

Antes tarde, que mais tarde!



Aqui vai o ensaio do Jogo Corpomancia para a Bienal Sesc de Dança. Foi na Vila dos ferroviários com a linda participação dos nossos vizinhos.



Obrigada a todos pelo apoio e torcida... Deu certo!

:: Convite eletrônico ::


:: clique na imagem para aumentar

:: Agradecimentos do me=morar ::

Agradecemos ao professor Edson Silva, por disponibilizar sua casa para locação durante os meses de elaboração e apresentação do espetáculo me=morar e nos incentivar com ideias e questionamentos durante a elaboração do projeto, em 2008; à companhia Circo do Mato, por ter representado juridicamente o coletivo Corpomancia junto à Funarte; a Wenceslau, por ter cedido as molduras que fazem parte do cenário, à Ginga Cia de Dança, por ter cedido peças que compuseram cenário e iluminação, e à Renata Leoni, que nos incentivou e deu suportes com seu conhecimento e experiência em produção cultural em dança no estado.

Agradecemos a “seu” Carlos, “seu” José Ferreira, Valderi Pessoa, Heitor Péres Lopes, “dona” Lenir Alves Batista da Silva, ex-ferroviários, moradores e vizinhos da rua Dr. Ferreira, por terem sido tão receptivos e acreditarem nessas meninas e meninos malucas, que adentraram o ambiente familiar e aconchegante da rua de paralelepípedos que nos chama a atenção para a história da qual todos fazemos parte.

Agradecemos também pela colaboração durante o processo de elaboração do projeto e montagem do espetáculo aos arquitetos Tiago Leite, André Vilela Pereira (Samambaia) e Mariel Myiahira; ao cientista da computação Roberto de Deus Barbosa Murta; aos estudantes de Jornalismo da UFMS Vinícius Bazenga, André Patroni, Kleomar Carneiro, Fernanda Kintschner, Daniel Rockhenbach, Aurélio Marques, Maurício Nascimento; à Laura Almeida; Adriel dos Santos; à professora Denise Parra; à Bernadette Bueno Netto e a Esacheu Nascimento, à empresa Gestão Ativa, que colabora para a manutenção do blog do coletivo, e a todas (os) que direta ou indiretamente contriubuíram para este espetáculo acontecer.

:: Ficha técnica do me=morar ::

Argumento e roteiro:
Ana Maria Rosa, Júlia Aissa, Luiza Rosa, Paula Bueno e Yan Chaparro
Criação coreográfica e interpretação:
Ana Maria Rosa, Júlia Aissa, Franciella Cavalheri, Luiza Rosa, Paula Bueno e Yan Chaparro

Figurino: Mary Saldanha
Concepção de cenário e iluminação: Maíra Espíndola
Instalação do cenário: Mª Bernadette Bueno Netto, Caio Nantes, Maíra Espíndola, Werther Fioravanti e coletivo
Operação de luz: Maíra Espíndola e coletivo
Trilha sonora: Jonas Feliz
Operação de som: Werther Fioravanti

Produção e divulgação: Carol Araújo, Werther Fioravanti e coletivo
Projeto Gráfico: Mary Saldanha e Paula Bueno
Fotos: Franciella Cavalheri e Paula Bueno
Registro audiovisual: Vaca Azul

Sinopse e textos: Luiza Rosa
Poemas: Maíra Espíndola
Fonte das frases de José Ferreira e Valderi Pessoa: livro “Via férrea”, elaborado por Aurélio Marques e Maurício Nascimento


Projeto me=morar
Coordenação de pesquisa de movimento: Júlia Aissa e Franciella Cavalheri
Coordenação de estudos teóricos: Yan Chaparro
Coordenação de produção: Ana Maria Rosa
Coordenação de divulgação: Paula Bueno
Coordenação geral: Luiza Rosa

:: me=morar ::


Começamos sem saber exatamente sobre o que falar, sabíamos que deveria ser dito em uma casa. A que nos acolheu estava na vila, a dos ferroviários. As experimentações se iniciaram pelos sentidos do corpo. Acurando a percepção de cada um deles, fazendo analogias com sensações e imagens corporais, movimentos foram acontecendo e a exploração do espaço da casa também. Não havia como negar a carga histórica, a ativação do ima-ginário de passado e antigo que aquele local nos oferecia. Resolvemos mergulhar.

Lá pelas cinco da tarde, personagens começam a aparecer. A varanda fica na calçada da rua. Em cadeiras de fios ou madeira, tomando te-reré ou chimarrão, acenando para os que passam de carro ou à pé, o papo rola solto, disso os documentos oficiais abrem mão. Ali encontramos o guia que nos levou a ruínas de prédios amplos. Telhas quebradas no chão, ausências no telhado, trepadeiras no concreto, porta solitária com dizeres de “prontidão”. O lugar era mensagem e nós também.

Ter atuado no jogo-espetáculo foi determinante para, durante o processo, conseguirmos planejar estruturas abertas ao acaso, abrir mão de ideias, defender outras, assumir perdas e ganhos de uma criação coletiva.

Daí o conceito de memória enquanto ativadora de lembranças fazer tanto sentido: o sensorial é presente, como a presença e disponibilidade incríveis de toda a equipe (criação de figurino, cenário, trilha sonora, produção, interpretação) aberta a diálogos, com criações que flutuam no desconhecido e abrem caminhos parecido com os trilhos logo atrás do quintal.

texto: Luiza Rosa

:: Posto de venda ::

Para comprar o ingresso, a partir de 2 de dezembro (quarta), é só se dirigir à Barraca Aparecida, na Feira Central, que abre às quartas, sextas e sábados, a partir das 17h (e não resista ao cheiro incrível da comida de lá...)

Para mais informações sobre os ingressos e se você não puder sair pra comprar nestes dias, liga para 9262 3335 para comprar com a Carol Araújo, ok? (lembrando que ela só estará com os ingressos nos dias que não estiverem na Barraca Aparecida).

:: sessões ::

Pelo tamanho da casa e pra melhorar o conforto de quem assiste, decidimos que cada sessão terá o público de 10 pessoas. Isso quer dizer que vamos dançar mais vezes, pra mais gente poder assistir. Também, nas sextas e sábados, vamos fazer sessão dobrada. Os dias/horários são:

9/dez, quarta-feira: 19:30
10/dez, quinta-feira: 19:30
11/dez, sexta-feira: 19:30 e 21:00
12/dez, sábado: 19:30 e 21:00
13/dez, domingo: 19:30

16/dez, quarta-feira: 19:30
17/dez, quinta-feira: 19:30
18/dez, sexta-feira: 19:30 e 21:00
19/dez, sábado: 19:30 e 21:00
20/dez, domingo: 19:30

Existe também a possibilidade de grupos fecharem apresentações em horários extras e pra isso, é só ligar para a Carol, nossa produtora: 9262 3335.

Nos vemos lá!!

:: Local ::


Exibir mapa ampliado

Este é o mapa da casa onde será o espetáculo Me=morar. Outra referência importante é que a Rua Dr. Ferreira é paralela à Feira Central. Para você localizar a Casa 169 quando chegar lá, vamos colocar um banner na fachada da casa, ok?

Nesta rua moravam os ferroviários que trabalhavam para a NOB e mais tarde para a RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A). Lá ainda moram ex-ferroviários, como o nosso vizinho, o José Ferreira (ele tem o mesmo nome da rua, mas a rua não tem o nome dele, entende?). Antigamente, o quintal das casas dava direto nos trilhos; hoje, o muro que marca o fim do terreno é a Feira Central.

Em 2004 foi feito um leilão das casas da Vila dos Ferroviários. Os moradores, depois de se organizarem em uma associação, conseguiram ter prioridade na compra das suas residências. Andar por ali é caminhar pela nossa história também. Aproveite o passeio todo...